Ribeira da Mota, já em território de Canedo. Um Sábado à tarde.
Ribeira da Mota, sensivelmente com o mesmo enquadramento mas em diferentes momentos, em diferentes estações; À esquerda, foto obtida no início do Outono, depois de um Verão relativamente seco; À direita, foto obtida em meados de janeiro, depois de abundantes chuvas. (clicar na foto para ver em tamanho ampliado).
Partiste…
Foi longa a tua estadia,
Mas agora,
Na tua ausência,
Sinto que fostes brisa a passar
E, findo o rumor,
Sinto que mal dei por ti.
No entanto,
Deixaste-me por cá
Um pouco mais,
Para que te traga de novo à vida
Ainda que, lá por fora,
Não sejas sombra ao sol
Mas, tão somente,
Sol na minha sombra.
-Américo Almeida - 2007
Ribeira da Mota, junto à presa do Alquebre.
Das entranhas do monte
Irrompe a seiva cantante,
Em fios de fina prata,
Reluzente, bordejando leiras,
Na ansiosa procura
De um leito materno,
De um regaço de águas.
Mas o mar apela,
Como mãe pelos filhos,
E, vale abaixo,
Rasgando o verde,
Sulcando a terra,
Amaciando a fraga,
Vai a Ribeira apressada,
Fecunda, destemida,
À procura do seu destino,
Do imenso, infinito,
Azul do mar.
Parte, mas parte num risonho adeus,
Na certeza de quem sabe
Que há-de voltar:
Ao mesmo monte,
Ao mesmo leito,
E de novo ao mar.
- Américo Almeida - 2007
O Inverno vai rigoroso e com muita chuva. Não admira, pois, que a ribeira da Mota vá correndo caudalosa e bonita de se ver.
Hoje, dia de Natal, as casas estão quentes, a lareira crepita e a mesa está farta de coisas doces e boas. Mas lá fora, está cinzento e frio. Este belo pisco-de-peito-ruivo, presença assídua no pouso de uma macieira cá de casa, vai correndo e saltitando, na sua beleza e simplicidade, como se o ignorasse ou como soubesse que hoje é dia de Natal. Pena que nos outros animais, nos racionais, nem sempre a simplicidade seja a regra diária.
Feliz Natal, de modo especial aos habituais olheiros deste simples fotoblog.